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cronograma01Para boa parte dos leigos , e infelizmente alguns “Gerentes de Projeto” (entre aspas mesmo), gerenciar os projetos é montar um cronograma no MS Project e acompanhar o percentual de execução do trabalho e, quando for preciso, acertar as datas…

Ah,  e também fazer atas de reunião, não deixando escapar nada, para ter todas as desculpas quando o projeto atrasar, o custo estourar ou quando o produto entregue não for o que o cliente queria…

Esses “Gerentes de Projeto” seguem a metodologia COASS (Cover Our ASS),  coisa extremamente importante de ser feita, diga-se de passagem,  porém gerenciar projetos não é apenas isso…

O Gerenciar Projetos começa no momento do planejamento, na criação de um cronograma possível e provável  de ser cumprido.

Para se criar um cronograma possível é preciso detalhar  o escopo a ser entregue, gerando a famosa EAP - Estrutura Analítica de Projeto, prefiro o nome em português ao invés do original em inglês (WBS - Work Breakdown Structure) porque ele reflete o que devemos fazer ANALISAR  a estrutura de nosso projeto, ou de nosso escopo, antes de definirmos o esforço necessário para implementá-lo.

Um  exemplo fácil, imagine um projeto de engenharia bem simples:  construir um lago de pesca numa chácara…

O Que deve ser feito?  Alugar uma retro-escavadeira, cavar o buraco, reforçar as paredes, encher de água e colocar os peixes…

Simples não é? Você  faz um cronograma, tudo certinho e quando começa a escavar, chega um fiscal e te pede o estudo de impacto ambiental, ou ainda te comunica que aquela área é uma área de manancial, portanto precisa de uma autorização especial, etc, etc …

Ao se fazer uma análise detalhada do escopo, essas limitações seriam detectadas, e as atividades de obter essas licenças seriam refletidas no projeto, evitando surpresas que fatalmente causarão atrasos significativos no cronograma e aumento de custos…

Portanto um cronograma possível deve ser precedido de um EAP (ou WBS), em outras palavras um  Cronograma possível é aquele onde as atividades apontadas  estão previstas e o prazo para cada uma delas é devidamente calculado.

Não adianta, no  exemplo do nosso lago,  prever  fazer o buraco em 1 dia, se a capacidade da minha retro-escavadeira exige 3, nem ao menos prever encher um lago de 5.000 m2 de superfície em 2 dias, se a quantidade de água na minha região exige 1 mês…

Feito esse EAP e estimando com Bom Senso o esforço para cada atividade,  teremos um CRONOGRAMA POSSÍVEL,  mas será que é provável que o mesmo seja cumprido?

Com sinceridade, normalmente não.

Porque nesse cronograma não existe uma avaliação extremamente importante mas que a maioria dos “Gerentes de Projeto” não estão preparados para fazer:  A Análise de riscos.

A Análise de risco é a avaliação de tudo o que  pode acontecer para atrapalhar (ou ajudar)  o projeto (falarei sobre Análise de risco em maiores detalhes em outros artigos).

Para o G.P.  que trabalham em consultorias de TI esse problema é muito grande, pois na maioria das vezes o G.P.  só é designado depois do aceite da proposta, quando então já haverá um comprometimento de Escopo, Prazo e Custo.

Se tudo fosse como na matemática, onde 1 + 1 é sempre 2, as coisas até que seriam mais fáceis, mas na verdade você vai descobrir  que 1 + 1 pode ser 2, mas as vezes 2,1 e outras 1,8, se não for 5…

O Primeiro problema é o Escopo,  como em TI nenhum sistema é isolado, sempre existe o problema das interfaces, que precisam ser  construídas ou alteradas e não fazem parte do Escopo previamente definido, ou então uma informação fundamental não é gerada pelo sistema legado, e sem ela não da pra implementar o sistema. E Prepare-se, se você não fizer uma EAP muito bem feita, só vai descobrir isso às vésperas da implantação, e prepare-se para o Stress…

O Segundo Problema CUSTO:  fatalmente houve uma negociação dura, o Comercial cedeu bastante, mas isso é problema do G.P, que terá que reduzir seu custo, mesmo  que surpresas de escopo como uma nova Interface seja descoberta e você precisa desenvolver…

E finalmente o Cronograma…

É aqui que surgem problemas, alguém previu atividades de validação do cliente que demora um dia, e ele leva duas semanas…

Obviamente alguém vai dizer, mas isso é problema e custo do cliente….

TEORICAMENTE sim, mas, e as atividades que dependem daquela? Você segue em frente sem a validação para garantir o cronograma? Se a resposta for sim, e o cliente mudar algo, você terá retrabalho.   Se você espera e  o cliente não muda nada, você atrasou o cronograma (e pessoa parada custa o mesmo que pessoa trabalhando, ou seja, aumentou o custo).

E Ainda existe o problema de “Recursos Compartilhados”,  aquele DBA que precisa entrar apenas duas semanas, portanto você  vai aproveitar um recurso da empresa, mas exatamente naquela semana que você vai precisar dele, ele foi alocado em outro projeto, por 3 semanas,  ou aquele teu funcionário fundamental recebeu uma proposta de emprego com 50% de aumento, ou…

Alguém vai dizer: larga de ser pessimista,  assim você não consegue entregar nada…

É por isso que existe a análise de risco, tudo isso deve ser dimensionado e ter uma resposta para cada possibilidade, e então você cria um CRONOGRAMA PROVÁVEL…

Agora é que vem o problema, se você conseguisse fazer isso e o cliente (e o seu comercial) aceitasse, seria bem mais fácil…

Mas quem disse que ser Gerente de Projetos é fácil? (Além é claro aquele vendedor do curso de G.P.).

Provavelmente você será pressionado a comprimir esse cronograma, a antecipar a entrega, mas não deixe de montar o seu CRONOGRAMA PROVÁVEL, pois mesmo que  você entregue o CRONOGRAMA POSSÍVEL, também será pressionado a comprimi-lo.

A Boa notícia é que quase sempre é possível comprimir um cronograma, e o melhor de tudo é que quando o cliente te pressiona a comprimir o cronograma você consegue alguns compromissos  dele, como validar os “entregáveis” no prazo acordado, o que ajuda e muito…

Voltarei a falar  sobre cronogramas, principalmente sobre Técnicas de Compressão de Cronogramas.

Bons Projetos.

PS.  IMPORTANTÍSSIMO : Jamais chame seu cronograma de Cronograma Provável, ou mesmo Cronograma Possível, chame apenas de Cronograma, o resto fica entre nós… OK?

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1824967_4Infelizmente não sou Vidente, e como todo  Gerente de Projetos lamento profundamente isso, mas apesar disso, posso garantir que sei duas coisas  sobre o próximo projeto que vou assumir, embora não saiba qual será ele.

 E mais ainda, sei também duas coisas de Seu projeto atual e sobre seu próximo projeto, mesmo sem saber quais são eles, e nem mesmo sem saber quem é você… (e isso depois de dizer que não sou vidente!)

 Essas duas coisas são :

 1. O Escopo vai mudar

2. Alguma coisa vai dar errado…

 Pois é,  depois que parar de rir, pare e pense em todos os projetos que você já teve conhecimento, você vai ver que o escopo mudou, e alguma coisa deu errado.

 Chamo a isso de Verdades dos projetos, essas são duas verdades incontestáveis dos projetos, o Escopo muda, e algo dá errado …

 Mas se o escopo muda, porque que é que não acerta o escopo logo no início?  E porque não planeja melhor para evitar que as coisas dêem errado?

 A resposta é simples, é porque se você fizer isso vai gastar muito mais tempo no planejamento,  vai gastar muito mais esforço se precavendo contra problemas que não vão ocorrer, seu prazo e seu orçamento ficarão infinitamente maiores, e depois de tudo isso…

 Seu Escopo vai mudar mais uma vez, e alguma outra coisa vai dar errado…

 Afinal, essas são duas Verdades absolutas em Projetos.

 Quando falamos em Projetos estamos falando , por definição,  em algo que nunca foi feito antes,  pelo menos não EXATAMENTE daquela forma, afinal, “projetos são empreendimentos temporários que visam produzir um produto ÚNICO, a um custo pré-determinado”…

 São tantas variáveis envolvidas que é impossível controlar todas, por isso, algo vai dar errado, algum imprevisto vai forçar uma mudança de escopo, sem levar em conta o famoso Jaques… (já que esta fazendo isso…)

 Quando se fala em Projetos de TI então, temos um “complicômetro” a mais, é a nossa “matéria prima”…

 Se na engenharia a matéria prima é o cimento, o tijolo, o concreto, na Informática a “Matéria Prima” são as pessoas…

 Lidar com pessoas é uma das atividades mais difíceis de se aprender, ou você tem empatia ou não tem, ou o “santo bate” ou nada feito…

 Conheci um Gerente de Projetos, um dos Bons, que me dizia que o principal instrumento que ele usava era a Planilha de Riscos, pois com ela, ele conseguia controlar tudo, sem ela ele estava perdido…

 Um dia resolvi testar, e comecei a usar os meus “E SE…”

E SE o cliente mudar o escopo?

 Lá vai o Carlão, planilha de Risco, Item 5, Mudança de Escopo por parte do Cliente, Probabilidade Alta, Impacto Alto, Estratégia de Enfrentamento Triplo(Plano de aceitação ativa, Plano Mitigação e  Plano de Contingência): Plano de aceitação ativa- Incluir 5% de margem de segurança. Plano de Mitigação: Documentar Escopo Inicial e Negociações, Demonstrar alteração de Escopo ao Cliente e Renegociar.  Contingência: Estratégia de Compressão: FastTrack.

 E SE o programador fizer corpo mole?

 La vai o Carlão, Planilha de Risco, Item 9, Baixa Produtividade da Equipe pro Desmotivação…

 E assim por diante, peguei a Planilha de Risco dele e vi que tinha 95 riscos apontados, com as devidas estratégias de enfrentamento.

 Perguntei, quanto tempo ele “perdia” criando aquela planilha para cada projeto, ele respondeu: Perder? Nem um minuto… Investir? 1 dia…

 Antes que eu trucasse, ele falou, essa Planilha me acompanha há 10 anos, a cada projeto eu apenas ajusto as probabilidades e o impacto, eventualmente entra um ou outro, mas nunca sai nenhum, afinal, sempre tem escopo flexível, sempre tem custo apertado, cronograma inviável, profissionais insatisfeitos, etc., etc.

Projetos são empreendimentos únicos é  claro, mas o ser humano é sempre igual, e portanto, as empresas e o relacionamento entre elas são muito parecidos, assim como seus problemas, por isso, os riscos são sempre os mesmos, somente sua probabilidade e seu impacto é que mudam…

 E ele terminou com a frase sobre as verdades: Só sei duas coisas sobre meu próximo projeto: O Escopo vai Mudar e Alguma coisa vai dar errado. A única forma de conviver com isso é ter uma planilha de riscos muito bem montada.

 Logo depois dessa conversa montei a planilha do projeto que eu estava iniciando, apontei 22 riscos. Quando terminei o projeto ela tinha 35, Hoje ainda a carrego comigo, já tem 53.

 E Antes que alguém me peça a planilha, aviso que eu pedi a dele, e darei a mesma  resposta que ele me deu:  Mais importante que ter uma boa planilha de riscos, é construir uma planilha de riscos, construa a sua.

Voltarei a falar sobre Riscos em breve e criarei uma área de templates no Blog para deixar um modelo para quem quiser construir a sua, ok?

Alguns textos sobre riscos:

Por que ignoramos a gestão de riscos em nossos projetos? (GestaodeProjetos.net)

Analisando Riscos na Gerencia de Projetos (O Blog da Gerência de Projetos)

OBS: A Imagem acima é a capa do Livro Gerenciamento de Riscos em Projetos, da FGV, que recomendo a leitura e pdoe ser adquirido no Submarino, clicando aqui

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