Todas as pessoas que se interessaram por Gerenciamento de Projetos já ouviu que entre 80 e 90% do tempo de um Gerente de Projetos é ” gasto”  como COMUNICAÇÃO.

O PMBOK em sua 4ª Edição(versão 2008) afirma, na página 338(versão em Português) que: ” A comunicação foi identificada como a maior razão de Sucesso ou Fracasso de um projeto.”

Apesar disso dentro da gigantesca bibliografia de gerenciamento de projeto é extremamente difícil encontrar bons livros falando sobre o assunto (confirmei isso recentemente, ao iniciar a orientação de uma aluna em seu TCC de Pós Graduação em Gestão de Projetos), mesmo o PMBOK, depois de afirmar a sua importância através da frase citada acima, dedica apenas 21 de suas 336 páginas ao Gerenciamento da Comunicação,  e vale ressaltar que isso significa um avanço em relação a versão 2003, que dedicava apenas 14 páginas…

O Grande problema que percebi em várias metodologias de desenvolvimento/gerenciamento com que trabalhei é que se confunde  documentação com comunicação.

Documentação é importante sim, para que todos saibam o que está acontecendo, para nivelar informações, para sinalizar o acompanhamento do projeto.

Dentro da área de conhecimento de Gerenciamento da Comunicação o PMBOK em sua  4ª Edição (2008) define 5 Processos:

1.       Identificar Partes Interessadas

2.       Planejar as Comunicações

3.       Reportar o Desempenho

4.       Gerenciar as Expectativas das Partes Interessadas

5.       Distribuir Informações

Em minha experiência de projetos, gerenciando e sendo gerenciado, pude perceber que os processos que recebem maior atenção são Reportar o Desempenho e Distribuir Informações, muito provavelmente porque esses elementos são, basicamente, processos de DOCUMENTAÇÃO.

Ouvi certa vez de um superintendente, em reunião para Gerentes de Projeto, a seguinte frase: ” Se falharmos na documentação do que ocorreu durante o projeto, ficamos sem defesa, nas mãos do cliente…”

Realmente isso é verdade, se não está documentado, não temos defesa, MAS…

Precisamos mesmo nos defender sempre?

Para mim essa metodologia devia se chamar COASS (Cover Our ASS!).

Essa frase parece afirmar que o projeto terá problemas, que o cliente ficará insatisfeito e que precisamos nos resguardar, fiquei com vontade de perguntar (mas não perguntei num de meus raros momentos de lucidez): Não seria melhor evitarmos q insatisfação do cliente? GERENCIARMOS SUAS EXPECTATIVAS, para que no final, pelo menos na maioria dos projetos, não ser necessária uma defesa?

Não estou dizendo que a documentação não é importante, apenas que existem outros processos tão (ou mais) importantes que a documentação.

O Grande problema é que documentar é fácil(chato e trabalhoso, mas fácil), basta ser metódico e organizado, atualizar um cronograma, escrever um report e disponibilizá-lo, fazer atas de reunião,  não existe um segredo para isso, um bom template e algumas explicações e qualquer Gerente Flanelinha (artigo O Gerente de Projetos e o Flanelinha) consegue realizar.

Já o Processo: GERENCIAR AS EXPECTATIVAS DAS PARTES INTERESSADAS é muito mais complicado, afinal é preciso primeiro saber quem  são as PARTES INTERESSADAS? quais são suas expectativas?  Elas são viáveis? Estão dentro do Escopo do Projeto?

Note que o verbo empregado é GERENCIAR e não ATENDER e muito menos SUPERAR.

Gerenciar expectativas exige uma atitude muito difícil, é preciso SE RELACIONAR com a parte interessada, é preciso saber negociar, influenciar e, raras vezes, impor limites.

E SE, e sempre tem um ” e se…”, com tudo isso, o cliente ainda tiver uma expectativa inviável, seja em termos de prazo, em termos de custo ou de escopo?

Infelizmente essa situação é mais comum do que o desejado, o Gerente de Projetos é alocado pela Organização Executora, que vendeu a um Cliente um projeto inviável, ou o Cliente solicitou um produto e na verdade deseja outro…

Esse é um caso clássico de CONFLITO DE EXPECTATIVAS, e é exatamente nesse contexto que o Gerenciamento das Expectativas é fundamental, as partes precisam saber que as expectativas são incompatíveis, é preciso negociar, tentar influenciar ou até mesmo impor limites, claro que tudo isso precisa ser DOCUMENTADO, mas se as expectativas forem gerenciadas, a Documentação pode sim funcionar como defesa, mas pelo menos nenhuma das partes interessadas poderá dizer que foi uma surpresa.

É mais complicado que simplesmente documentar? Sim, muito mais complicado…

Talvez por isso Gerentes de Projeto ganhem mais que Documentadores…

Um comentário para “Comunicação ou Documentação?”
  1. Em primeiro lugar, obrigado pela gentileza de postar um comentário em meu conteúdo.
    Resolvi reativar esse trabalho depois de um longo tempo de inatividade e desesperanças quanto ao envolvimento “de público”… penso que agi certo em voltar.
    Quando ao conteúdo acima, penso que o próprio projeto, juntamente com os delegados e envolvidos, já é a documentácão primordial para sua “defesa”. O que me parece muito conveniente, é que seja sempre mantido o canal de comunicações ativo, pois a todo momento nossa agenda sofre alterações e os apontamentos de projetos são então divulgados.
    A documentação é laboral por pertinencia, já a divulgação nem tanto pois falhas ao longo do processo impedem que o projeto seja atualizado em termos gerais.
    Isso faz parte ao meu ver do conteúdo de “massa crítica”, devendo ter a mesma prioridade que o menor prazo a ser atingido.
    Abraços
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